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	<title>Sofia Flores &#187; Poesia</title>
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	<description>Página Pessoal</description>
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		<title>Navegar é preciso</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Apr 2011 11:30:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sofia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[fernando pessoa]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:</p> <p>&#8220;Navegar é preciso; viver não é preciso&#8221;.</p> <p>Quero para mim o espírito [d]esta frase, transformada a forma para a casar como eu sou:</p> <p>Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:</p>
<p>&#8220;Navegar é preciso; viver não é preciso&#8221;.</p>
<p>Quero para mim o espírito [d]esta frase, transformada a forma para a casar como eu sou:</p>
<p>Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.</p>
<p>Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso.</p>
<p>Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade.</p>
<p>É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.</p>
<p><em>Fernando Pessoa</em></p>
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		<title>Ary dos Santos</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Apr 2010 15:50:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sofia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[ary dos santos]]></category>
		<category><![CDATA[mafalda arnauth]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Foi quando me mostraste umas músicas que eu parei e relacionei o poeta Ary dos Santos com um conjunto de músicas que fazem parte de mim desde sempre. Parei, como disse. Parei e googlei pela poesia dele. Parei e li com atenção alguns dos seus poemas. E fiquei coladíssima à cadeira. Ele sempre andou por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi quando me mostraste umas músicas que eu parei e relacionei o poeta Ary dos Santos com um conjunto de músicas que fazem parte de mim desde sempre. Parei, como disse. Parei e <em>googlei</em> pela poesia dele. Parei e li com atenção alguns dos seus poemas. E fiquei coladíssima à cadeira. Ele sempre andou por aqui, mas eu nunca parei, li e reflecti. Foi, de facto, um poeta de elevadíssima qualidade. Basta olharmos com cuidado para um dos poemas que, a esta altura, é um dos meus preferidos.</p>
<p><strong>Estrela da Tarde</strong></p>
<p><em>Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia<br />
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia<br />
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia<br />
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia</em></p>
<p><em>Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia<br />
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria<br />
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia<br />
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia</em></p>
<p><em>Meu amor, meu amor<br />
Minha estrela da tarde<br />
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde<br />
Meu amor, meu amor<br />
Eu não tenho a certeza<br />
Se tu és a alegria ou se és a tristeza<br />
Meu amor, meu amor<br />
Eu não tenho a certeza</em></p>
<p><em>Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram<br />
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram<br />
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram<br />
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram</em></p>
<p><em>Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram<br />
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam<br />
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram<br />
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram</em></p>
<p><em>Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto<br />
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto<br />
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto<br />
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto</em></p>
<p><em>Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.</em></p>
<p>Isto é qualquer coisa do outro mundo. E pois bem, é assim. Tal e qual como ele diz.</p>
<p>A acompanhar o poema, deixo também a música, cuja letra é precisamente este poema, interpretada e muito bem pela Mafalda Arnauth.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=yUyhx0LGhTM">http://www.youtube.com/watch?v=yUyhx0LGhTM</a></p>
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		<title>Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 17:56:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sofia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[alberto caeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo&#8230;<br /> Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer<br /> Porque eu sou do tamanho do que vejo<br /> E não, do tamanho da minha altura&#8230;</p> <p>Nas cidades a vida é mais pequena<br /> Que aqui na minha casa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo&#8230;<br />
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer<br />
Porque eu sou do tamanho do que vejo<br />
E não, do tamanho da minha altura&#8230;</p>
<p>Nas cidades a vida é mais pequena<br />
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.<br />
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,<br />
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,<br />
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,<br />
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.</p>
<p style="text-align: right;"><em>Alberto Caeiro</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Quem me quiser</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 19:38:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sofia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem me quiser há-de saber as conchas<br /> a cantiga dos búzios e do mar.<br /> Quem me quiser há-de saber as ondas<br /> e a verde tentação de naufragar.</p> <p>Quem me quiser há-de saber as fontes,<br /> a laranjeira em flor, a cor do feno,<br /> a saudade lilás que há nos poentes,<br /> [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div lang="x-western">Quem me quiser há-de saber as conchas<br />
a cantiga dos búzios e do mar.<br />
Quem me quiser há-de saber as ondas<br />
e a verde tentação de naufragar.</p>
<p>Quem me quiser há-de saber as fontes,<br />
a laranjeira em flor, a cor do feno,<br />
a saudade lilás que há nos poentes,<br />
o cheiro de maçãs que há no inverno.</p>
<p>Quem me quiser há-de saber a chuva<br />
que põe colares de pérolas nos ombros<br />
há-de saber os beijos e as uvas<br />
há-de saber as asas e os pombos.</p>
<p>Quem me quiser há-de saber os medos<br />
que passam nos abismos infinitos<br />
a nudez clamorosa dos meus dedos<br />
o salmo penitente dos meus gritos.</p>
<p>Quem me quiser há-de saber a espuma<br />
em que sou turbilhão, subitamente<br />
- Ou então não saber coisa nenhuma<br />
e embalar-me ao peito, simplesmente</p></div>
<div lang="x-western"></div>
<div style="text-align: right;" lang="x-western"><strong>Rosa Lobato Faria</strong></div>
<div style="text-align: right;" lang="x-western"></div>
<div style="text-align: left;" lang="x-western">RIP</div>
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		<title>O que há em mim é sobretudo cansaço</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Mar 2007 00:16:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sofia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[álvaro de campos]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>O que há em mim é sobretudo cansaço<br /> Não disto nem daquilo,<br /> Nem sequer de tudo ou de nada:<br /> Cansaço assim mesmo, ele mesmo,<br /> Cansaço.</p> <p>A subtileza das sensações inúteis,<br /> As paixões violentas por coisa nenhuma,<br /> Os amores intensos por o suposto alguém.<br /> Essas coisas todas.</p> <p>Essas e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que há em mim é sobretudo cansaço<br />
Não disto nem daquilo,<br />
Nem sequer de tudo ou de nada:<br />
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,<br />
Cansaço.</p>
<p>A subtileza das sensações inúteis,<br />
As paixões violentas por coisa nenhuma,<br />
Os amores intensos por o suposto alguém.<br />
Essas coisas todas.</p>
<p>Essas e o que faz falta nelas eternamente;<br />
Tudo isso faz um cansaço,<br />
Este cansaço, Cansaço.</p>
<p>Há sem dúvida quem ame o infinito,<br />
Há sem dúvida quem deseje o impossível,<br />
Há sem dúvida quem não queira nada -<br />
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:<br />
Porque eu amo infinitamente o finito,<br />
Porque eu desejo impossivelmente o possível,<br />
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,<br />
Ou até se não puder ser&#8230;</p>
<p>E o resultado?<br />
Para eles a vida vivida ou sonhada,<br />
Para eles o sonho sonhado ou vivido,<br />
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto&#8230;<br />
Para mim só um grande, um profundo,<br />
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,<br />
Um supremíssimo cansaço.<br />
Íssimo, íssimo. íssimo, Cansaço&#8230;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Álvaro de Campos</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Para ser grande</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Feb 2007 00:56:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sofia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[ricardo reis]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Para ser grande, sê inteiro,<br /> Põe quanto és no mínimo que fazes.<br /> Nada teu exagera ou exclui.<br /> Assim, em cada lago, a lua toda brilha porque alta vive.</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para ser grande, sê inteiro,<br />
Põe quanto és no mínimo que fazes.<br />
Nada teu exagera ou exclui.<br />
Assim, em cada lago, a lua toda brilha porque alta vive.</p>
]]></content:encoded>
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